‘El pueblo unido jamás será vencido’
Cultura

‘El pueblo unido jamás será vencido’

Grupo chileno Quilapayún, autor da canção ícone da esquerda latina, completa 50 anos de apoio a manifestações sociais

em 19/04/2016 • 10h45
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“Señoras y señores, venimos a contar aquello que la historia no quiere recordar.”

(Quilapayún – música Santa Maria de Iquique)

Muitos grupos musicais surgem, se desentendem e desaparecem, mas não é essa a história do Quilapayún. Apesar de conflitos internos nos últimos anos, a banda chilena se mantém atuante e participativa na história dos movimentos populares da América Latina desde 1965. Deu voz ao povo oprimido, cantou bandeiras de luta e liberdade e tornou-se ícone das manifestações da esquerda latino-americana.

Suas canções – especialmente “El pueblo unido” – estiveram nas bocas e nos corações de trabalhadores, estudantes e manifestantes por todo o continente. Nestes cinquenta anos de história, realizaram mais de 2 mil shows em 38 países e lançaram 26 álbuns, além de compilações e discos em colaboração com jovens artistas.

Uma das mais representativas bandas da chamada Nova Canção Chilena foi criada por três jovens – Eduardo Carrasco, Julio Carrasco e Julio Numhauser – inspirados pela música das montanhas e motivados por profundas mudanças e ideiais. Queriam fazer algo novo, diferente. A começar pelo nome, que em mapuche significa “três barbas”. Ao trio original se juntaram: Patricio Castillo, Carlos Quezada, Willy Oddó, Hernán Gómez e Rodolfo Parada.

Criada com o objetivo de resgatar a cultura indígena e defender a classe trabalhadora, a banda participou ativamente da campanha que levou Salvador Allende à presidência, em 1970. Em 1973, compuseram “El pueblo unido”, inspirados na frase do líder político colombiano Jorge Eliécer Gaitán, pronunciadas em um discurso na década de 1940 e que ganhou popularidade nas manifestações da Unidad Popular durante o governo de Allende. Apenas três meses depois da canção ícone, eles veriam o então presidente ser deposto por Pinochet. No dia do golpe de Estado, 11 de setembro, eles estavam em uma turnê na França – e ali começou um longo e doloroso exílio.

“O golpe é realmente o fato mais traumático que vivemos. Estávamos confiantes, todos acreditávamos no Chile, achávamos que não havia chances de um golpe, já que nossos militares eram essencialmente respeitosos com as instituições. No nosso caso, a realidade brutal abriu nossos olhos. Estávamos em uma turnê pela Europa, longe de Chile e das nossas famílias, quando veio a notícia da repressão, do bombardeio ao palácio presidencial, da morte de Allende, do assassinato selvagem de Victor Jara, que era o nosso diretor, da prisão de Angel Parra [que também compôs músicas com o grupo], de cantores e de muitos outros colegas artistas, intelectuais, trabalhadores e dirigentes”, afirma Hernán Gómez à Calle2, por entre os preparativos do concerto de celebração dos 50 anos da banda, que será nesta quarta (20 de abril), no Teatro Municipal de Santiago.

Depois de longos anos de exílio forçado na Europa, a anistia é decretada no Chile, em 1988, e Quilapayún volta, a tempo de participar de comícios do plebiscito que disse “não” a Pinochet.

‎Além de “El pueblo unido”, o grupo ficou famoso com a “Cantata Santa Maria de Iquique”, canção que conta a história de um massacre de trabalhadores ocorrido em 1907, em Iquique (norte do Chile), ordenado pelo governo para esmagar a greve dos mineiros do salitre. Estima-se que tenham sido assassinados 2 mil trabalhadores.

Apesar dos avanços políticos, democráticos e econômicos na América Latina, Gómez acredita que ainda há o que protestar, lutar e defender. “Nos anos 60, o aparecimento da música comprometida [politicamente] nasceu por uma enorme necessidade de independência e de reforma em nossos países. Vemos hoje uma melhoria das condições de vida de nossos povos e uma transição política que aponta para uma maior independência, democracia e estabilidade (relativa). No entanto, persistem situações de pobreza, intolerância, tensões, corrupção e ignorância que mesmo os governos de esquerda não conseguem resolver, criando uma enorme frustração. Tudo isso ninguém pode prever como vai terminar.”

O Quilapayún militante das causas sociais segue atuando como catalizador de emoções. “No Chile, houve grandes protestos públicos em defesa da educação e contra o crime. Quilapayún tem marcado presença e vai continuar presente em tais ocasiões, não só com canções mobilizadoras, mas também com poesia e humor. Também participamos de manifestações cívicas na Colômbia, Equador e França.”

Eles ainda não preveem vir ao Brasil. Mas, quem sabe?

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LETRA DE ‘EL PUEBLO UNIDO’

El pueblo unido, jamás será vencido,
el pueblo unido jamás será vencido…

De pie, cantar
que vamos a triunfar.
Avanzan ya
banderas de unidad.
Y tú vendrás
marchando junto a mí
y así verás
tu canto y tu bandera florecer.
La luz
de un rojo amanecer
anuncia ya
la vida que vendrá.

De pie, luchar
el pueblo va a triunfar.
Será mejor
la vida que vendrá
a conquistar
nuestra felicidad
y en un clamor
mil voces de combate se alzarán,
dirán
canción de libertad,
con decisión
la patria vencerá.

Y ahora el pueblo
que se alza en la lucha
con voz de gigante
gritando: ¡adelante!

El pueblo unido, jamás será vencido,
el pueblo unido jamás será vencido…

La patria está
forjando la unidad.
De norte a sur
se movilizará
desde el salar
ardiente y mineral
al bosque austral
unidos en la lucha y el trabajo
irán,
la patria cubrirán.
Su paso ya
anuncia el porvenir.

De pie, cantar
el pueblo va a triunfar.
Millones ya,
imponen la verdad,
de acero son
ardiente batallón,
sus manos van
llevando la justicia y la razón.
Mujer,
con fuego y con valor,
ya estás aquí
junto al trabajador.

Y ahora el pueblo
que se alza en la lucha
con voz de gigante
gritando: ¡adelante!

El pueblo unido, jamás será vencido,
el pueblo unido jamás será vencido…

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